Espaço, Direção e Conectividade

Sou curiosa pelo que se refere à nossa vivência do espaço, sobretudo à interação recíproca que ali se estabelece. Este sempre foi, para mim, o aspecto mais interessante de observar dentro das possibilidades de estudo desse assunto.
Participei, colaborando com a proposta de organização do espaço, do 1° Workshop Koiné, com aproximadamente cem pessoas, que se encontraram na sede Tijuca da Firjan com o propósito de discutir/aprender/vivenciar sobre o fenômeno rede social através, inclusive, da utilização de ferramentas como a internet, entre outras. Digo inclusive porque, apesar das várias tecnologias que por lá vi a serem usadas como ferramentas de rede, o que mais me emocionou foi o potencial que temos de conectividade no próprio espaço, se é que assim posso dizer…
No local, com cerca de 300 m2, foram disponibilizadas 24 mesas retangulares, 100 cadeiras, 22 laptops e possibilidade de conexão à internet (inclusive para outras máquinas, que os participantes levassem). Além disto, o espaço abrigaria um telão, um quadro multimídia, um local para fotografar os participantes e área para coffee break, todos eles sem restrição de horários de utilização durante todo o dia do evento.
A minha principal preocupação foi potencializar a possibilidade de cada um dos participantes de estabelecer contato e interagir com o maior número possível de pessoas. O espaço foi, então, organizado conforme a figura abaixo.

Esquema de organização do espaço do evento.

Esquema de organização do espaço do evento.

O que sobressai na proposta é uma estrutura bastante rígida, formada pela disposição das mesas em zig-zag. Em cada um dos espaços côncavos formados pelas mesas se localizaria um laptop, e estariam quatro cadeiras a serem utilizadas conforme cada um achasse mais conveniente, tendo o cuidado de disponibilizar o máximo de espaço livre possível para que as pessoas pudessem fluir e se instalar conforme bem entendessem.
A princípio, os participantes foram se instalando no local e adicionando ao equipamento disponível seus próprios laptops, provocando deslocamentos e reagrupações. A utilização do espaço deu-se sem dificuldades aparentes e com fluidez ao longo do dia, sendo que alguns aspectos me chamaram especial atenção:

esboçofoto

A disposição das mesas e o necessário compartilhamento de uma mesma máquina, simultaneamente, dificultou, por um lado, que as pessoas se sentassem perpendicular às mesmas (como habitualmente fazemos, monopolizando e colocando em foco exclusivamente o monitor) e, por outro lado, que surgissem focos de interesse visual (os monitores) à volta dos quais as pessoas se agrupavam. Disto resultou não apenas um aparente caos na distribuição dos assentos no espaço mas, sobretudo, na direção para onde as pessoas ficavam naturalmente voltadas ao se sentarem.
Esta variedade espontânea de localizações e direcionamentos dos participantes, provocada pela configuração das mesas foi, a meu ver, o mais importante e interessante aspecto do projeto:
• Diria ser quase impossível estar ali sem ter acesso visual a pelo menos um monitor, mas a grande maioria tinha acesso a mais de dois monitores simultaneamente, estabelecendo comparações e trocando informações sobre os mesmos;
• Mesmo quem estava na parte mais interna do encontro das mesas tinha acesso visual aos monitores que estavam nas suas laterais equivalentes e até opostas;
• Parece-me ter sido difícil não estabelecer contato com os participantes vizinhos, sendo que cada participante tinha, em média, acesso direto a pelo menos mais dezenove participantes sem se levantar da cadeira e a uma distância suficiente para ser ouvido por todos eles sem elevar a voz;
• O volume geral das vozes dos participantes permaneceu a um nível moderado mas audível e sem tumulto, apesar de intenso;
• Foi possível, sem incômodo nem dificuldade, a todos os participantes, se concentrarem em focos pontuais de interesse no espaço por ocasião de eventuais declarações de algum determinado participante para todos os outros;
• Embora o fluxo principal de participantes fosse à volta das mesas onde estavam os computadores, o evento fluiu por todo o espaço e em diversas atividades simultâneas, sem horários previamente estabelecidos e sem qualquer prejuízo para nenhuma delas.

É sempre gratificante a oportunidade de sugerir e observar sobre o espaço e possíveis interações que ele oferece. Como diz Tarthang Tulku , “precisamente por ser tão ‘usual’ – porque não existe nada mais básico na nossa realidade – tempo, espaço e conhecimento podem servir também como uma entrada para uma nova visão. (…) Quando trocamos nossa atenção ao que é apresentado na experiência para a forma em que isto é apresentado, novos aspectos de tempo, espaço e conhecimento são revelados”.

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