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A grande sabedoria

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“(…) Não há fim na pesagem das coisas, não há parada no tempo, não há constância na divisão da sorte, não há regra fixa para começar e para acabar. A grande sabedoria, portanto, observa o longe e o perto e, por esta razão, reconhece o pequeno sem o considerar desprezível, reconhece o amplo sem o considerar de difícil manejo, pois ela sabe que não há um fim para a pesagem das coisas. Ela tem clara compreensão do passado e do presente; por essa razão, passa um longo tempo sem o achar tedioso, um tempo breve sem se agastar com sua brevidade, pois sabe que o tempo não tem parada. Ela percebe a natureza da plenitude e do vazio e, por esse motivo, não se delicia pelo fato de ter adquirido algo, nem se preocupa com a sua perda, pois sabe que não existe constância na divisão da sorte. Compreende a Estrada Plana e, por esse motivo, não se regozija com a vida nem vê a morte como calamidade, pois sabe que não existe regra fixa para determinar o começo e o fim.

Calcule-se o que o homem sabe e isso não é comparável ao que ele não sabe. Calcule-se o tempo de sua vida e não se poderá compará-lo ao tempo que precedeu o seu nascimento. No entanto, o homem toma algo assim pequenino e tenta exaurir as dimensões de algo tão extenso! Por isso ele vive transtornado e confuso, jamais conseguindo chegar a parte alguma. Sob este prisma, como havemos de saber se a ponta de um cabelo pode ser escolhida como medida da menor coisa possível? Ou como se há de saber se o Céu e a Terra abrangem plenamente as dimensões da maior coisa possível?

(…)”

Enchentes de Outono, in Chuang Tzu – Escritos Básicos, Ed Cultrix